Sobre ser um(a) pensador(a)
O que é ser um(a) pensador(a)?
Você já parou para pensar por que as coisas são como são? Por que precisamos seguir determinadas regras? Como sabemos se uma ideia é verdadeira? Por que os objetos caem quando os soltamos? Como podemos descobrir se aquilo que acreditamos está realmente correto?
Fazer perguntas, observar, investigar, duvidar e procurar explicações são atitudes de um pensador. Neste sentido, ser um pensador não significa apenas ter muitas ideias, mas procurar compreender os problemas que existem ao seu redor e busca maneiras de explicá-los ou solucioná-los. Para isso, pode conversar com outras pessoas, observar a realidade, fazer perguntas, testar possibilidades, comparar ideias e procurar evidências.
Ao longo da história, muitas pessoas se tornaram importantes porque tiveram a coragem de questionar aquilo que parecia óbvio. Algumas foram filósofos e filósofas, outras foram cientistas. Embora Filosofia e Ciência tenham características diferentes, ambas podem começar com uma pergunta ou com um problema que precisa ser investigado.
SÓCRATES: O PENSADOR QUE FAZIA PERGUNTAS
Sócrates viveu na cidade de Atenas, na Grécia Antiga, há mais de 2.400 anos. Naquele período, muitas pessoas acreditavam que já sabiam o que era a justiça, a coragem, a verdade e uma vida boa. Apesar disso, Sócrates começou a questionar essas pessoas que se diziam serem sábias e que tinham certeza sobre o que diziam. Ele conversava com as pessoas pelas ruas e fazia perguntas como: O que é justiça? O que é ser corajoso? O que é uma pessoa boa?
O problema não era descobrir uma resposta rápida, mas perceber que muitas pessoas diziam saber alguma coisa sem conseguir explicar por quê.
Sócrates propôs uma maneira de buscar o conhecimento por meio do diálogo e do questionamento. Em vez de simplesmente aceitar uma ideia como resposta, ele incentivava as pessoas a examiná-la, apresentar razões e perceber possíveis contradições.
Por conta disso e de sua maneira de questionar a sociedade, Sócrates tornou-se uma figura importante da Filosofia. Ele nos deixou uma importante lição: pensar também significa saber perguntar e reconhecer quando ainda não sabemos alguma coisa. Desta forma, Sócrates criou uma maneira de investigar e buscar respostas mais confiáveis, isto é, Sócrates cria a Filosofia.
Ainda hoje, fazemos algo parecido quando questionamos uma informação, perguntamos por que uma regra existe ou tentamos descobrir se uma afirmação realmente faz sentido.
HIPÁTIA DE ALEXANDRIA: UMA MULHER QUE INVESTIGAVA O MUNDO
Hipátia de Alexandria viveu aproximadamente entre os anos 350 e 415, na cidade de Alexandria, no Egito, durante a Antiguidade. Alexandria era um importante centro de estudos e conhecimento. Hipátia era filósofa, matemática e estudiosa da Astronomia. Ela ensinava e estudava conhecimentos matemáticos e astronômicos que haviam sido desenvolvidos por outros pensadores. Naquele período, compreender os movimentos dos astros era um problema importante. As pessoas observavam o céu para organizar calendários, compreender as estações do ano e tentar explicar os movimentos do Sol, da Lua e dos planetas.
Hipátia dedicou-se ao estudo e ao ensino desses conhecimentos. Ela procurou organizar, explicar e transmitir ideias matemáticas e astronômicas, ajudando seus estudantes a compreenderem assuntos que muitas vezes eram bastante difíceis. Ela também esteve envolvida com instrumentos utilizados para estudar os astros, como o astrolábio, embora seja importante ter cuidado com algumas histórias posteriores que atribuem a ela invenções específicas sem evidências suficientes. Um dos aspectos mais importantes de sua trajetória foi o fato de ser uma mulher dedicada ao conhecimento em uma sociedade em que as oportunidades de estudo eram muito mais limitadas para as mulheres.
Hipátia tornou-se professora e uma referência intelectual em Alexandria. Sua morte ocorreu em meio a conflitos políticos e religiosos da cidade. Sua história nos ajuda a perceber que produzir conhecimento também pode exigir coragem para estudar, ensinar e defender a importância da razão e da investigação.
Hipátia é lembrada atualmente não apenas pelos conhecimentos matemáticos e astronômicos aos quais se dedicou, mas também como símbolo da participação das mulheres na construção do conhecimento. Hoje, quando mulheres estudam Matemática, Filosofia, Física, Astronomia ou outras áreas da Ciência, continuam ampliando um espaço que durante muito tempo foi ocupado principalmente por homens.
GALILEU GALILEI: OBSERVAR E QUESTIONAR
Galileu Galilei viveu na Itália entre os séculos XVI e XVII. Ele foi matemático, físico e astrônomo e viveu em uma época em que algumas explicações sobre o funcionamento do Universo eram consideradas verdadeiras porque haviam sido defendidas durante muitos séculos. Começou a observar o céu com instrumentos que ampliavam aquilo que os olhos conseguiam enxergar. Com o uso do telescópio, realizou observações que ajudaram a transformar a maneira como as pessoas compreendiam o Universo. Entre suas observações estavam as montanhas e crateras da Lua, as fases de Vênus e quatro luas que orbitam Júpiter.
Essas observações colocavam em dúvida algumas ideias que eram aceitas naquela época. Galileu defendia que deveríamos observar a natureza e utilizar a Matemática e a experiência para compreender os fenômenos. Ele enfrentou fortes conflitos com autoridades de seu tempo por causa de algumas de suas ideias sobre o Universo.
A importância de Galileu está não apenas nas descobertas que realizou, mas também na maneira como investigou os fenômenos. Seu trabalho ajudou a fortalecer uma Ciência baseada em observação, experimentação, Matemática e questionamento. Hoje, quando utilizamos telescópios para estudar planetas, estrelas e galáxias, continuamos utilizando instrumentos e métodos que seguem essa tradição de observar e investigar o Universo.
MARIE CURIE: INVESTIGANDO UM FENÔMENO INVISÍVEL
Nasceu na Polônia em 1867 e posteriormente viveu e trabalhou na França. Ela foi uma das mais importantes cientistas da história e realizou pesquisas fundamentais sobre um fenômeno que, naquela época, ainda era pouco compreendido: a radioatividade. Lembrando que o próprio calor do Sol emite radiação, fato disso é o calor que sentimos em nossa pele ao nos expormos no Sol, pois o astro emite radiação (raios UV) que são invisíveis, mas conseguimos sentir.
É importante lembrar que a pensadora viveu em uma época que mulheres enfrentavam dificuldades para ter acesso à educação em universidades e para se tornarem cientistas. Sendo que muitas vezes, seus maridos que recebiam os méritos e reconhecimento por suas descobertas. Mesmo assim, ela dedicou sua vida aos estudos e às pesquisas.
Nessa época, os cientistas haviam descoberto que alguns materiais, como o urânio, liberavam uma energia invisível. Mas ainda não se sabia exatamente de onde vinha essa energia nem por que ela acontecia. O problema que Marie Curie procurou investigar era: por que alguns materiais emitem espontaneamente uma forma de energia ou radiação? Ao estudar materiais que apresentavam esse comportamento, Marie Curie e seu marido, Pierre Curie, realizaram diversas experiências e medições.
Marie percebeu que determinados minerais apresentavam uma quantidade de radiação maior do que poderia ser explicada apenas pela presença do urânio. Isso levou-a a investigar a possibilidade de existirem outros elementos responsáveis pelo fenômeno.
Depois de muito trabalho experimental, os pesquisadores anunciaram a descoberta de novos elementos químicos: o polônio e o rádio. Desta forma, suas pesquisas ajudaram a ampliar o conhecimento sobre a radioatividade e abriram caminhos para novas pesquisas em Física, Química e Medicina. Um exemplo, é o uso da radiografia (máquina de raio X). O trabalho de Marie Curie teve grande importância para a humanidade. Os conhecimentos sobre radioatividade contribuíram posteriormente para diferentes aplicações, incluindo técnicas utilizadas na Medicina para diagnóstico e tratamento de doenças.
Marie Curie recebeu dois Prêmios Nobel, um de Física e outro de Química, sendo uma das primeiras mulheres a alcançar reconhecimento científico dessa dimensão. Sua história também nos ensina que uma descoberta científica geralmente não acontece de uma hora para outra. É resultado de perguntas, observações, experimentos, erros, tentativas, registros e muita persistência.
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